Realismo-Naturalismo
Obra
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (1881)
Autor
Machado de Assis (1839-1908)
Obra
O MULATO (1881)
Autor
Aluísio Azevedo (1857-1913)
CONTEXTO HISTÓRICO
O Realismo, no Brasil, nasceu em conseqüência da
crise criada com a decadência econômica açucareira, o crescimento do
prestígio dos estados do sul e o descontentamento da classe burguesa em
ascensão na época, o que facilitou o acolhimento dos ideais
abolicionistas e republicanos. O movimento Republicano fundou em 1870 o
Partido Republicano, que lutou para trocar o trabalho escravo pela
mão-de-obra imigrante.
Nesse período, as idéias de Comte, Spencer, Darwin e
Haeckel conquistaram os intelectuais brasileiros que se entregaram ao
espírito científico, sobrepujando a concepção espiritualista do Romantismo.
Todos se voltam para explicar o universo através da Ciência, tendo como
guias o positivismo, o darwinismo, o naturalismo e o cientificismo. O
grande divulgador do movimento foi Tobias Barreto, ideólogo da Escola de
Recife, admirador das idéias de Augusto Comte e Hipólito Taine.
O Realismo e o Naturalismo aqui se estabelecem com o
aparecimento, em 1881, da obra realista Memórias Póstumas de Brás
Cubas, de Machado de Assis, e da naturalista O Mulato, de Aluísio Azevedo,
influenciados pelo escritor português Eça de Queirós, com as obras O
Crime do Padre Amaro (1875) e Primo Basílio (1878). O movimento se
estende até o início do século XX, quando Graça Aranha publica Canaã, fazendo surgir uma nova estética: o Pré-Modernismo.
CARACTERÍSTICAS
A literatura realista e naturalista surge na França
com Flaubert (1821-1880) e Zola (1840-1902). Flaubert (1821-1880) é o
primeiro escritor a pleitear para a prosa a preocupação científica com o
intuito de captar a realidade em toda sua crueldade. Para ele a arte é
impessoal e a fantasia deve ser exercida através da observação
psicológica, enquanto os fatos humanos e a vida comum são documentados,
tendo como fim a objetividade. O romancista fotografa minuciosamente os
aspectos fisiológicos, patológicos e anatômicos, filtrando pela
sensibilidade o real.
Contudo, a escola Realista atinge seu ponto máximo
com o Naturalismo, direcionado pelas idéias materialísticas. Zola, por
volta de 1870, busca aprofundar o cientificismo, aplicando-lhe novos
princípios, negando o envolvimento pessoal do escritor que deve, diante
da natureza, colocar a observação e experiência acima de tudo. O
afastamento do sobrenatural e do subjetivo cede lugar à observação
objetiva e à razão, sempre, aplicadas ao estudo da natureza, orientando
toda busca de conhecimento.
Alfredo Bosi assim descreve o movimento: "O
Realismo se tingirá de naturalismo no romance e no conto, sempre que
fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das "leis
naturais" que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito".
Vindo da Europa com tendências ao universal, o
Realismo acaba aqui modificado por nossas tradições e, sobretudo, pela
intensificação das contradições da sociedade, reforçadas pelos
movimentos republicano e abolicionista, intensificadores do descompasso
do sistema social. O conhecimento sobre o ser humano se amplia com o
avanço da Ciência e os estudos passam a ser feitos sob a ótica da
Psicologia e da Sociologia. A Teoria da Evolução das Espécies de Darwin
oferece novas perspectivas com base científica, concorrendo para o
nascimento de um tipo de literatura mais engajada, impetuosa, renovadora
e preocupada com a linguagem.
Os temas, opostos àqueles do Romantismo,
não mais engrandecem os valores sociais, mas os combatem ferozmente. A
ambientação dos romances se dá, preferencialmente, em locais miseráveis,
localizados com precisão; os casamentos felizes são substituídos pelo
adultério; os costumes são descritos minuciosamente com reprodução da
linguagem coloquial e regional.
O romance sob a tendência naturalista manifesta
preocupação social e focaliza personagens vivendo em extrema pobreza,
exibindo cenas chocantes. Sua função é de crítica social, denúncia da
exploração do homem pelo homem e sua brutalização, como a encontrada no
romance de Aluísio Azevedo.
A hereditariedade é vista como rigoroso
determinismo a que se submetem as personagens, subordinadas, também, ao
meio que lhes molda a ação, ficando entregues à sensualidade, à
sucessão dos fatos e às circunstâncias ambientais. Além de deter toda
sua ação sob o senso do real, o escritor deve ser capaz de expressar
tudo com clareza, demonstrando cientificamente como reagem os homens,
quando vivem em sociedade.
Os narradores dos romances naturalistas têm como
traço comum a onisciência que lhes permite observar as cenas diretamente
ou através de alguns protagonistas. Privilegiam a minúcia descritiva,
revelando as reações externas das personagens, abrindo espaço para os
retratos literários e a descrição detalhada dos fatos banais numa
linguagem precisa.
Outro tratamento típico é a caracterização
psicológica das personagens que têm seus retratos compostos através da
exposição de seus pensamentos, hábitos e contradições, revelando a
imprevisibilidade das ações e construção das personagens, retratadas no
romance psicológico dos escritores Raul Pompéia e Machado de Assis.
créditos para: http://www.nilc.icmc.usp.br
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